segunda-feira, setembro 29, 2008

Tudo passa...


As folhas passam, os dias não. Ele permanece ali, sentado com seu copo de leite na mão, uma revista velha em cima da mesa e o cachorro faminto no canto do quarto bagunçado. Não sabe para onde ir, ou o que fazer. Ele só sabe esperar. Aliás, isso ele faz bem, muito bem. Esperar. Espera que os dias passem, que seu cachorro fuja, que a revista rasgue, que o leite estrague e que as rugas venham. Não tem medo do futuro. Mas não sabe o que fazer com o presente. Olha o calendário como se quisesse devorá-lo. “Quem sabe o tempo não passa mais rápido”, pensa. Nas suas caminhadas espera chegar a algum lugar, mas acaba sempre voltando para o começo. Ele parece cansado. Cansado da vida, da dor, da perda, da espera. Sem saber que busca algo trágico ele senta e espera, vendo as folhas do calendário passar. Deseja que o dia de amanhã seja diferente. Espera que algo o salve. Mas como a vida é cruel. Nada muda da noite para o dia. E como o brilho fugaz de uma estrela cadente, sua mente se ilumina com idéias nunca antes imaginadas. Ele, então, resolve não mais esperar. Levanta de sua cadeira, bebe o leite azedo, joga a revista ultrapassada no lixo, pega a coleira do cachorro e embarca na maior aventura de todas, a vida.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Ser



Sentado no banco da praça mais mórbida da cidade, um velho boêmio escuta as folhas dançantes das árvores. Tantas lembranças. Ele percebe uma música ao fundo, é a mesma música que embalou sua primeira dança. Tudo na sua imaginação se contorce de alegria. Ele sente o vento cortante da noite atravessar o parque e chegar até o seu pequeno e frágil banco. Ali ele dera seu primeiro beijo. Sentado naquele banco antigo ele chorara a morte de sua amada e jogara migalhas para os pombos no inverno. Já derramara sorvete naquele mesmo canto corroído pelo tempo, já trouxera seu filho e seu neto para observar as formigas e sentir o perfume das flores na primavera. Sem medo de parecer maluco, conversa com o banco como se este fosse seu cúmplice em todos os momentos. E por mais absurdo que fosse, o banco parecia respondê-lo, acolhendo-o sem se importar com a gravidade da situação. Era seu amigo mais fiel. Esteve lá sempre que o bom velho precisou. Na tristeza era consolador, na dor aconchegante e na felicidade companheiro. Passando a mão sobre aquele que seria seu lugar preferido em todo o mundo e notando as imperfeições que haviam sido trazidas com o vento e a chuva, o velho percebeu como eles eram parecidos. Rugas e buracos perpassavam a história dos dois, deixando um vazio angustiante em alguns pontos. Às vezes sentia ciúmes. “As pessoas não sabem como tratar de um banco nessa cidade”, pensava. O que seria do velho se não tivesse um lugar para ‘sentar’, pensar na vida e sentir as folhas que sempre dançavam nas árvores. Havia um motivo para a visita tão inesperada e tardia, mas não revelou nada ao amigo. Passou a noite inteira sentado, pensando e sentindo. Gostava dali. Lá percebia o mundo ao redor. Tudo era mais vivo e intenso. Na manhã seguinte, encontraram o corpo do velho sentado no banco, imóvel, inerte, mas com um sorriso no rosto. As pessoas só não entendiam uma coisa, como um velho cego poderia conhecer tão bem o caminho de casa até o banco da praça. Ele havia ido se despedir, mas acabou preferindo ficar. E ficou para sempre.
Escrito ao som de Ludwig Van Beethoven - 01:47 h

sábado, novembro 04, 2006

Semeando......



Às vezes me sinto uma abelhinha semeando corações
Cultivo e cativo um pouquinho aqui e ali
Sem intenção acabo plantando sentimentos e indo embora
Crio esperanças para logo após abandoná-las
Fugindo pela primeira brecha que aparece na minha anciosidade
Deixando olhos aguados, corações despedaçados, duvidas inacabáveis, planos dilacerados e lembranças órfãs
Sinto–me sem escrúpulos
A mãe que abandona o filho depois de prometer que sempre estaria ao seu lado
Como se eu não me importasse
Em cada semente deixo um pouco de mim
E se um dia acabar?
Gostaria de encontra meu porto seguro, minha casa, meu abrigo, meu afago, meu sempre
Mas as pessoas dizem que tudo um dia acaba
É....deve ser por isso que eu fujo
Por temer o descontrole do fim.




. . .


segunda-feira, outubro 23, 2006

Faz de Conta....


"Faz de conta que ela era uma princesa azul pelo crepúsculo que viria, faz de conta que a infância era hoje e prateada de brinquedos, faz de conta que uma veia não se abrira e faz de conta que sangue escarlate não estava em silêncio branco escorrendo e que ela não estivesse pálida de morte, estava pálida de morte mas isso fazia de conta que estava mesmo de verdade, precisava no meio do faz-de-conta falar a verdade de pedra opaca para que contrastasse com o faz-de-conta verde cintilante de olhos que vêem, faz de conta que ela amava e era amada, faz de conta que não precisava morrer de saudade, faz de conta que estava deitada na palma transparente da mão de Deus, faz de conta que vivia e que não estivesse morrendo pois viver afinal não passava de se aproximar cada vez mais da morte, faz de conta que ela não ficava de braços caídos quando os fios de ouro que fiava se embaraçavam e ela não sabia desfazer o fino fio frio, faz de conta que era sábia bastante para desfazer os nós de marinheiros que lhe atavam os pulsos, faz de conta que tinha um cesto de pérolas só para olhar a cor da lua, faz de conta que ela fechasse os olhos e os seres amados surgissem quando abrisse os olhos úmidos da gratidão mais límpida, faz de conta que tudo o que tinha não era de faz-de-conta, faz de conta que se descontraíra o peito e a luz dourada a guiava pela floresta de açudes e tranqüilidade, faz de conta que ela não era lunar, faz de conta que ela não estava chorando. "
Clarice Lispector


-- Gostaria de expressar minha humilde gratidão e admiração á essa mulher que através das palavras conseguiu chegar ao mais próximo significado da minha essência como ser existente. Ela faz as palavras bailarem no papel numa sincronia divina e numa harmonia inigualável. Ela prova por “A mais B” que não é necessário palavras rebuscadas para se fazer uma arte bela e pura! Clarice me ensina até hoje como dar o devido valor e a merecida importância para as pequenas coisas da vida. Do simples desabrochar de uma flor, a uma simpática chuva de verão, passando pela destruidora bomba atômica. Tudo vira poema nas mãos de Clarice e nos faz refletir sobre o que somos e construímos a cada dia perto e dentro de nós!


"Até onde você está disposto a ir na toca do Coelho?"

=]

quarta-feira, setembro 27, 2006

Vontade de....


Falar. Amar. Fazer. Pegar. Correr. Gritar. Abraçar. Morder. Agarrar. Ler. Estudar. Sair. Beijar. Ter. Ser. Sentir. Ir. Controlar. Desejar. Experimentar. Andar. Pensar. Ligar. Poder. Sorrir. Odiar. Bater. Pular. Dançar. Ouvir. Ver. Entender. Acariciar. Chorar. Brigar. Temer. Vacilar. Errar. Opinar. Discutir. Acertar. Impor. aTrair. Manipular. Surta. Compreender. Imaginar. Criar. Fotografar. Comer. Beber. Encontrar. Conversar. Divertir. Convencer. Admirar. Dirigir. Transformar. Doar. Descobrir. Comprar. Vender. Esperar. Dormir. Acordar. Suspirar. Inspirar. Passar. Entrar. Conseguir. Chegar. Conquistar. Almejar. Sonhar. Querer. Vir. Estar. Responder. Perguntar. Parecer. Conhecer. Atender. Desenhar. Pintar. Inventar. Merecer. Concordar. Discordar. Trabalhar. Brincar. Oferecer. Atrair. Melhorar. Achar. Adivinhar. Jogar. Decidir. Precisar. Conseguir. Encenar. Assistir. Machucar. Avaliar. Julgar. Caminhar. Morrer. Nascer. Facilitar. Falhar. Dificultar. Comprometer. Viver. Elogiar. Negar. Afirmar. Interagir. Enviar. Assumir. Tomar. Lavar. Limpar. Sujar. Desarrumar. Organizar. Fugir. Ficar. Construir. Crescer. Aprender. Apresentar. Usar. Viajar. Desprezar. Ignorar. Perdoar. Esnobar. Questionar. Acreditar. Aconselhar. Complicar. Frescar. Chutar. Casar. Sentar. Descansar. Resolver. Gostar. Prestigiar. Voar. Nadar. Escutar. Saber. Testar. Repetir. Voltar. Proteger. Reprimir. Enganar. Servir. Emagrecer. Desaparecer. Cantar. Brilhar. Sofrer. Sumir. Alcançar. Curar. Agradar. Expressar. Internalizar. Aprofundar. Raciocinar. Provar. Impedir. Confiar. Contar. Cuidar. Dizer. Acabar. Transferir. Magoar. Fortificar. Vencer. Perder. Aproximar. Encorajar. Emplacar. Condicionar. Parar. Envelhecer. Respeitar. Eleger. Dar. Inovar. Telefonar. Gravar. Memorizar. Embelezar. Farriar. Promover. Esconder. Caracterizar. Entregar. Surpreender. Agir. Resistir. Permitir. Deixar. Alegrar. Empolgar. Emocionar. Enfatizar. Esvaziar. Encarar. Exemplificar. Eternizar. Enjoar. Entediar. Igualar. Otimizar. Honrar. Unir. Apertar. Utilizar. Colocar. Adorar. Tocar. Tirar. Exigir. Cortar. Impressionar. Valorizar. Estranhar. Finalizar. Escrever.......

sexta-feira, setembro 22, 2006

Um Lugar....


O tempo mim inspira a voar pelo imenso mar de pensamentos que vagam solitários pela minha cabeça.
As nuvens que nublam o céu, trazem um vento tão vivificante quantos as palavras mais sábias de um guru embriagado pela beleza do mundo.
Como o céu pode ter um efeito tão grande sobre mim?
Me instiga e me leva a escrever sobre idéias loucas que jorram da minha cabeça sem previsão de um fim.
Eu poderia fica um bom tempo aqui. Um bom e longo tempo.
Sentada num banco, não muito confortável, mas moderadamente convidativo, a brisa me afaga, como uma criança a fazer mascaras e caretas com o meu rosto.
E o céu choroso, pronto para se desfolhar em lágrimas em meu ombro a qualquer momento.
Nada me preocupa, apesar de existir uma pilha de problemas para cada mundo meu.
Nada importa. Eu sou o tudo, o todo, o nada , o nunca, o sempre, o agora.
Eu sou eu e nada mais, e ao ver as folhas das arvores dançarem graciosamente em meio ao verde alegre da relva.
Eu sorrio.
Estou em paz!
=]

sábado, setembro 09, 2006

Olhar mais além...


·#Flávio...·0 diz:
você não se sente verdadeira?

.Lára, [- Deus é Arte! ] diz:
eu sou verdadeira....mais não por inteiro...como um iceberg!
eu sou o iceberg....o que você vê não é nem metade da metade do que eu sou....e sinto!! Mas o que eu percebo hoje em dia é que as pessoas não estão muito interessadas em saber como as outras realmente são!


As pessoas de hoje se contentam com o pouco, com o superficial, com o fútil. Não buscam descobrir de que é feito os pensamentos humanos. Simplesmente vivem. Ou sobrevivem?! Enfim, empurram a existência com a barriga como se fosse uma criança leviana, que arrisca tudo o que tem por uma simples volta na roda gigante! Paremos um instante para observar o individuo que está ao nosso lado. Ele é um universo inteiro, assim como você. O raciocínio foi feito para ser usado. O questionamento deveria ser o alimento para a nossa existência, porém se tornou um privilégio de poucos que habitam o coelho do grande mágico e se arriscam a ir até o topo do pêlo do animal afim de ver um pouco além às “verdades universais”.

quinta-feira, agosto 31, 2006

Deus...

Como descrever algo que é....Indescritível?! A Força maior do que tudo, o Sentido que muda de palavra á cada esquina, a Luz incandescente imperceptível pelos olhos imperfeitos, o Tudo, o Nada, o Nome, a Fé, a Lógica, a Razão, a Conclusão, o Resumo, o Bom, a Justiça, o Perdão, a Compreensão, a Compaixão, a Caridade, a Alegria, a Paciência, a Piedade, a Calma, o Trabalho, o Esforço, o Dia, a Noite, a Natureza, o Universo, o Brilho, a Amizade, a Família, o Pai, o Aconchego, a Paz, a Serenidade, a Felicidade, o Pensamento, a Consciência, a Vontade, o Carinho, o Conforto, o Estudo, o Tempo, o Único, o Imortal, o Todo, a Educação, o Imutável, o Inimaginável, o Divino, o Superior, a Arte, o Ponto de Partida e Chegada, o Amor, o Sentimento maior ainda inalcançável pelo ser humano.
Nossas ínfimas concepções e palavras não são capazes de explicar um simples e puro sentimento como o Amor, o que dirá descrever seu Criador!

segunda-feira, agosto 28, 2006

Hoje...



Cabeça cheia! Preciso digerir meus pensamentos. Palavras dançam desordenadas na minha imaginação. Amanhã será um novo dia, espero que tudo esteja melhor.


" A abstração do insolito pensamento humano retratada com a insensatez da inexistente realidade dos fatos distorcidos! "

domingo, agosto 27, 2006

Palavras ao vento....


Arte é vida. É o modo mais eficaz de educar. É o jeito mais puro de divulgar o que eu, não só acredito, mas vivo. Sentir a arte pulsar dentro de mim é o mesmo que deslizar levemente em meio ao doce frescor de um jardim ensolarado. É saber que não importa o que esteja acontecendo além da minha janela, dentro de mim a criação é constante. É acordar cedo e ver que mais um dia aguarda ansiosamente pelas minhas idéias. É ter inspiração diante de uma bela música, ou se encantar ao presenciar as pequenas maravilhas do dia a dia. É conseguir desabafar tudo que me aflige num simples e frágil papel. É arrancar lágrimas com apenas um pano e cores. É materializar sonhos, desejos, crenças, paixões, aspirações. É compartilhar a essência do individuo com o coletivo, com o universo. É sorrir pela mais banal situação. É se descobrir representando outras vidas. É subir num palco e mostrar a perfeição da causa primeira de todas as coisas. É enxergar numa modesta flor o aroma para o mais agradável perfume existente. É perceber o talento das pessoas através de um simples olhar. Ter arte é sabedoria. Fazer arte é a melhor experiência da minha vida. Ver arte é prazeroso. Amar arte é mágico. Sentir arte é divino. Ler arte é agradável. Ser arte é a capacidade de ser você mesmo!

sexta-feira, agosto 25, 2006

Não Quero...

"Não quero alguém que morra de amor por mim... Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando. Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo, quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade. Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim... Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível... E que esse momento será inesquecível... Só quero que meu sentimento seja valorizado. Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre...E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor. Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém... e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos, que faço falta quando não estou por perto. Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras, alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho... Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente importa, que é meu sentimento... e não brinque com ele. E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca cresça, para que eu seja sempre eu mesmo... Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe... Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz. Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia, e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,talvez obterei êxito e serei plenamente feliz. Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas... Que a esperança nunca me pareça um "não" que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como "sim". Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder dizer a alguém o quanto é especial e importante pra mim, sem ter de me preocupar com terceiros... Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento. Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena!!! "
Mario Quintana
Venho hoje me apossar das belas palavras de um velho boêmio, que já muito experiente, se doa como uma fonte de idéias aventureiras para que jovens sonhadores, como eu, possam enxergar um pouco de esperança na mais velha herança deixada à humanidade, o Amor!

terça-feira, agosto 22, 2006

Palhaça, eu?!....Claro!


Um objeto não identificado veio até mim numa ensolarada tarde de primavera. Não sabia ao certo o que fazer com ele. Tentei encaixá-lo na ponta do dedo do pé, mas não pareceu muito correto. Então equilibrei o no alto da cabeça, só eu sei o quanto ficou engraçado, mas infelizmente não parava de cair. Então cheguei à conclusão de que “a coisa” não era utilizada daquela forma. Tentei soprar, beijar, jogar no chão, falar algumas palavras mágicas (abracadabra...simsalabim...bibitimbibitimbum), mas nada adiantou. Para a minha sorte, ou meu infortúnio, uma pequena abelha vendo as minhas tentativas frustrantes e frustradas, resolveu me ajudar a indicar o local e o modo que aquele troço deveria ser utilizado. Ela, com toda sua esperteza e força me picou bem na ponta do nariz! Ele inchou e ficou super vermelho. Observando a semelhança do meu nariz com o treco resolvi colocar um sobre o outro e para minha surpresa encaixou perfeitamente! Um ponto vermelho no meio do imenso mundo preto e branco surgiu desde aquele dia e eu descobri como é gratificante sorri e fazer os outros felizes!

segunda-feira, agosto 21, 2006

Pensamentos leves...


Os passos arrastados. A cabeça arriada para o lado. Os braços morbidamente segurando sacolas. O olhar perdido, melancolico, cansado. Os ombros levemente inclinados para a frente. Os pés trêmulos. Respiração arquejante. Fisionomia castigada pelo tempo. Um "algo" caminha lentamente pelas ruas desertas da cidade. Sua cabeça está aqui, presa ao monotono acizentado do dia a dia. Mas seus pensamentos tão certo como como uma brisa do mar, estão fincados num mundo bem mais colorido.

domingo, agosto 20, 2006

Querido eu...






De onde será que vem esse barulho ensurdecedor que escuto toda vez que encosto meus pensamentos no travesseiro?
Por que minhas bonecas não mais falam comigo como antigamente?
Onde foram parar os desenhos que estavam nas nuvens ontem?
Como eu consigo alcançar os biscoitos que estão no alto do armário, escondidos de pequenas mãos docemente levianas?
Por que os pratos parecem estar todos vazios, ou pior, com migalhas dormidas?
Desde quando eu penso em meninos não como coisas nojentas e asquerosas que só querem puxar nossos cabelos e sim como criaturas intrigantes que nos fazem sonhar acordada?
De onde o sol vem e para onde a lua vai?
O que esta acontecendo comigo?
Será que é tudo um sonho, e amanhã quando o sol nascer mais uma vez estarei novamente vendo a luz colorir o caminho escolhido?
Ou será que a loucura causada pelas vicissitudes cotidianas está finalmente tomando conta da minha consciência por inteira?
Acho que sei a resposta. Não sei ao certo se é seguro explicar, nem ao menos comentar. Não sei ao certo o que pode acontecer.
Mas tudo bem, assumo minhas maldições.....Estou crescendo!
E no mundo pequeno de gente grande pareço minúscula, raquítica, sem vida, só.
Meus bichinhos e amigos estão ficando para trás, num infinito mar de lembranças que teimam em não deixar-me em paz.
Eu sento no canto do cômodo e choro. Através das lagrimas vejo o reflexo do meu intimo, e para minha surpresa encontro alguém que a muito não via.
Encontro a minha cara infância. Meiga personalidade, criativa, alegre e sorridente.
E no fim dos tempos ela me ensina que o verdadeiro espelho esta nos olhos de quem ama.

sábado, agosto 19, 2006

Um mundo sem cor...


O mundo austero suga as forças dos nossos pensamentos como se fossemos fontes inesgotáveis de idéias disponíveis ao furto. Nós não pensamos. Ou se pensamos somos limitados ao pequeno mundo que esta disponível aos nossos sentidos. Somos alienados e alienantes do nosso próprio sistema. Enclausurados numa teia de ideologias falhas, nós simplesmente aceitamos e nos deixamos subjugar por algo que nem ao menos conseguimos entender. Ser fruto de uma consciência vazia e não buscar uma saída para evoluir por si só é ser pior do que a causa de existir. O objetivo da existência ainda é um enigma para todo aquele que busca uma resposta imediata. Somos agentes criadores do meio em que vivemos, fragmentos minúsculas do imenso universo, uma célula no meio do complexo corpo humano. Porém se uma pequena partícula possuir o mínimo de determinação e condição, ela pode causar distúrbios imensuráveis num grande organismo. Sejamos agentes do nosso meio, modificadores das nossas próprias regras, criadores da nossa realidade, ou sejamos apenas mais um no grandioso rebanho de marionetes.