domingo, agosto 20, 2006

Querido eu...






De onde será que vem esse barulho ensurdecedor que escuto toda vez que encosto meus pensamentos no travesseiro?
Por que minhas bonecas não mais falam comigo como antigamente?
Onde foram parar os desenhos que estavam nas nuvens ontem?
Como eu consigo alcançar os biscoitos que estão no alto do armário, escondidos de pequenas mãos docemente levianas?
Por que os pratos parecem estar todos vazios, ou pior, com migalhas dormidas?
Desde quando eu penso em meninos não como coisas nojentas e asquerosas que só querem puxar nossos cabelos e sim como criaturas intrigantes que nos fazem sonhar acordada?
De onde o sol vem e para onde a lua vai?
O que esta acontecendo comigo?
Será que é tudo um sonho, e amanhã quando o sol nascer mais uma vez estarei novamente vendo a luz colorir o caminho escolhido?
Ou será que a loucura causada pelas vicissitudes cotidianas está finalmente tomando conta da minha consciência por inteira?
Acho que sei a resposta. Não sei ao certo se é seguro explicar, nem ao menos comentar. Não sei ao certo o que pode acontecer.
Mas tudo bem, assumo minhas maldições.....Estou crescendo!
E no mundo pequeno de gente grande pareço minúscula, raquítica, sem vida, só.
Meus bichinhos e amigos estão ficando para trás, num infinito mar de lembranças que teimam em não deixar-me em paz.
Eu sento no canto do cômodo e choro. Através das lagrimas vejo o reflexo do meu intimo, e para minha surpresa encontro alguém que a muito não via.
Encontro a minha cara infância. Meiga personalidade, criativa, alegre e sorridente.
E no fim dos tempos ela me ensina que o verdadeiro espelho esta nos olhos de quem ama.

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